Singular poeta acadêmico: António Serrão de Crasto (1614-1685)

Autores

DOI:

https://doi.org/10.53943/ELCV.0122_55-67

Palavras-chave:

Retórica, poética, cômico, agudeza

Resumo

O poeta António Serrão de Crasto (1614-1685) foi membro da Academia dos Singulares (de 1628 a 1665), que editou dois tomos da produção poética acadêmica em 1665 e 1668. O objetivo deste artigo é fazer uma apresentação breve dos 72 poemas que constam nessas publicações acadêmicas, e de dois discursos ocasionais como presidente de sessões da academia. Apreciam-se também alguns poemas avulsos, encontrados em manuscritura ou em livros de outros autores. Neste artigo, tento propor uma pequena bibliografia de Serrão de Crasto, juntando diversas fontes bibliográficas até hoje conhecidas. De modo geral, o artifício retórico presente nos textos reside na transposição dos estilos sério e jocoso, alterando o poeta entre a gravidade da matéria e a facécia dos conceitos, ornatos e palavras com que trata o argumento ou, pelo contrário, vestindo uma matéria circunstancial ou baixa com ornatos elevados. A maior parcela de seus romances, sonetos e glosas alterna a aplicação de estilos grave e faceto entre elas.

Referências

Academias dos Singulares de Lisboa. Dedicadas a Apollo (1665/1668). Officina de Henrique Valente de Oliveira. Lisboa. 2 tomos

Carvalho, M. S. F. de (2019). Catálogo da poesia seiscentista da Biblioteca Nacional: Com estudo retórico-poético das letras luso-brasileiras no século XVII. Alameda. São Paulo

Crasto, A. S. de (1981). Os ratos da Inquisição. (Pref. de Camilo Castelo Branco; notas de M. J. Gomes). Contexto. Lisboa

Crasto, A. S. de (2004). Os ratos da Inquisição, seguido de «A Francisco de Mezas». (Pref. de Camilo Castelo Branco). Frenesi. Lisboa. [reed. do livro Os ratos da Inquisição, ruína de uma pobre canastra e do manuscrito Fonte jocosa fabricada por António Serrão de Crasto, boticário, em Lisboa, ano de 1704]

Foucault, M. (2019). História da loucura. (12.ª ed.). Editora Perspectiva. São Paulo

Fumaroli, M. (1998). L’école du silence: Le sentiment des images au XVIIe. siècle. Flammarion. Paris

Hansen, J. A. (1992). Uma arte conceptista do cômico: O Tratado dos ridículos de Emanuele Tesauro (1654). Em: J. A. Hansen e A. A. B. Pécora (org.). Tratado dos ridículos (1.ª ed.). CEDAE-U-NICAMP. Campinas-SP. pp. 7-28

Ribeiro, B. A. F. (2007). Um morgado de misérias: O auto de um poeta marrano. Humanitas. São Paulo

Sobral, L. de M. (1994). Pintura e poesia na época barroca. Editorial Estampa. Lisboa

Sylva, M. P. da (1746). A fenix renascida ou obras poeticas dos melhores engenhos portuguzes. (2.ª impressão aumentada). Officina dos Herdeiros de Antonio Pedrozo Galram. Lisboa. T. IV

Tesauro, E. (1992). Tratado dos ridículos. (Pref. J. A. Hansen). IEL-CEDAE-Unicamp. Campinas, n. º 1

Tesauro, E. (2000). Il cannocchiale aristotelico (1654). L’Artistica. Savigliano. [Fac-símile da ed. de 1670, por Zavatta, Torino]

Downloads

Publicado

30-06-2022