Da inocência à consciência: A evolução da bondade em Dostoiévski — Míchkin e Aliócha como arquétipos éticos

Autores

DOI:

https://doi.org/10.53943/ELCV.0126_118-135

Palavras-chave:

Dostoiévski, bondade, ética, Míchkin

Resumo

O presente artigo propõe uma leitura comparativa das figuras do príncipe Míchkin, de O idiota, e de Aliócha Karamázov, de Os irmãos Karamázov, como dois modos de encarnação da bondade no universo dostoievskiano. Enquanto Míchkin representa a inocência luminosa e a pureza inata que sofre por não compreender o mal, Aliócha expressa a maturidade espiritual daquele que, conhecendo o sofrimento, escolhe permanecer no bem. A análise parte de uma perspectiva hermenêutica e filosófica, inspirada em Paul Ricoeur e Emmanuel Levinas, para examinar a passagem da bondade como graça passiva à bondade como escolha ética e consciente. Essa transição revela, em Dostoiévski, uma pedagogia do amor e da vulnerabilidade moral que supera o heroísmo retórico, transformando a compaixão em escuta ativa e em responsabilidade pelo outro.

Biografia Autor

Lara Passini Vaz-Tostes, Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais

Graduada em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com conclusão em fevereiro de 2022. Foi indicada ao Prêmio Barão do Rio Branco (Edital 963/2022/SGE-UFMG) e ao Prêmio Messias Pereira Donato (Edital 818/2022/SGE-UFMG). Possui experiência na área jurídica, com ênfase em Direito Cível e Eleitoral, tendo atuado como estagiária no TRE-MG, na Defensoria Pública da União e no escritório R. Santana Advocacia. Trabalhou como advogada júnior no escritório Bernardes Advogados (jul/2023 nov/2023) e como estagiária de pós-graduação no Tribunal de Justiça Militar de Minas Gerais (out/2024 abr/2025).Desde outubro de 2024, cursa pós-graduação lato sensu em Filosofia e Teoria do Direito pela PUC Minas, aprofundando os diálogos entre ética, linguagem e literatura. Escritora e pesquisadora independente, desenvolve projetos autorais voltados à representação de sujeitos neurodivergentes e à investigação estética da escuta, com ênfase em autores como Dostoiévski, Kafka e Paul Ricoeur. Tem textos aceitos para publicação em revistas acadêmicas e coletâneas literárias, articulando criação ficcional e reflexão filosófico-literária com foco na empatia, na alteridade e na permanência ética.

Referências

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Ricoeur, P. (1990). Soi-même comme un autre. Seuil. Paris.

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Publicado

30-06-2026