António Patrício: A versão demoníaca de Eros

  • Teresa Cerdeira
Palavras-chave: António Patrício, teatro português, erotismo, morte

Resumo

Na esteira baudelairiana das Fleurs du mal, a literatura finissecular incorporou ao ethos do erotismo uma versão demoníaca de afrontamento da divindade. António Patrício se situa no limiar da presença de Deus e do seu enfrentamento, que é o outro lado possível da sedução. Em D. João e a máscara, esse enfrentamento se cumpre através da relação íntima entre morte e erotismo. Desejar o eterno é ansiar pelo divino, de modo que, paradoxalmente, o desejo de ser como Deus se reveste do desejo de atingir o absoluto, o que na escala humana só se consegue com a morte: “Bem nossa, só a morte”.

Publicado
2019-12-17